Editorial
A política fiscal

A última semana assinalou a greve na LG Eletronics com a paralisação por dias da linha de produção de aparelhos telefônicos celulares, notebook e monitores. Foi exemplar a coordenação dos diretores do Sindicato dos Metalúrgicos, pois a maioria dos funcionários na empresa coreana é composta por mulheres que sofrem pressão moral, com obrigatoriedade de cumprimento de horas excessivas de produção e outros expedientes que desqualificam o trabalho feminino. Os dirigentes sindicais se deslocaram até Campinas em audiências no Tribunal Regional do Trabalho, fórum julgador das negociações entre o capital e o trabalho. Na realidade vem ocorrendo, não de hoje, uma série de irregularidades na gigantesca fabrica multinacional e que envolvem distúrbios nas relações trabalhistas. Ao que consta e o deputado federal Vicentinho se prontificou a levar os problemas trabalhistas até a Embaixada da Coréia do Sul, pela falta de visão e de consciência por parte dos executivos da empresa em se adaptar aos padrões da legislação brasileira. Os asiáticos estão mais preocupados em produzir - e cada vez mais - sem a necessária contrapartida na valorização do trabalho cotidiano e em especial da mulher. Vivemos em 2.010 e existe a consciência de colaboração entre o patrão e o empregado que ainda não tem espaço entre aqueles que pregam trabalhismo de mão única.Tem agora a LG Eletronics a oportunidade de se integrar aos aspectos humanos e se tem a absoluta certeza que os executivos da importante empresa compreenderão melhor os novos tempos. Em Taubaté recebeu incentivos fiscais e terreno da prefeitura, sendo hoje uma das maiores empregadoras do município, gerando empregos e riquezas. Merece, portanto, o respeito e consideração da nossa gente. Os produtos aqui fabricados e que tem vasta absorção no mercado são os telefones celulares, notebook e monitores de largo consumo. Ainda agora o departamento de Desenvolvimento Econômico lembra que existe projeto de expansão na montagem em Taubaté da chamada "linha branca" de aparelhos eletrodomésticos como geladeiras, fogões e outros objetos de uso no lar. Que tal plano venha a ser materializado, o que implicaria em aumento na mão-de-obra e mais empregos gerados. Destarte, a insegurança ocorrida na semana passada é página virada. Por outro lado, emergiu outra crise e ainda no setor industrial no Vale do Paraíba e agora envolvendo a empresa MP Plastic (antiga Pelzer) e o remanescente da Indarú, em decorrência de contratos não adequadamente redigidos pelo uso de instalações industrias, prédio construído no final do século passado em terreno cedido graciosamente pelo GEIN - Grupo de Expansão industrial - da prefeitura de Taubaté. São exemplos que refletem na atualidade a importância de se rever os contratos de concessões de terras, ás margens da via Dutra, para tantas empresas que se instalam no município e depois deixam as atividades industriais ou repassam - com ou sem encargos - as propriedades para terceiros. A LG que recebeu um vastíssimo espaço com cerca de 2,6 milhões de m2, devolveu parte da área, o que não deixa de ser respeitoso bom senso, pois jamais utilizaria a vasta gleba presenteada. A ex-Indarú uma das primeiras industrias no distrito do Una, construiu funcional fábrica e depois repassou - formal ou informalmente - o imóvel. O caso está na Justiça e ao que consta é um dos muitos episódios longe do capitulo final. Outra empresa que deixou o galpão sob terreno doado foi a Tenda, nas imediações do bairro da Independência. Na mesma situação está o famoso parque temático das águas - Onsen Termas - cujo magnífico lago foi entregue para a organização que hoje mantém fechadas (e as sete chaves) o local, um dos mais belos espaços turísticos de Taubaté. Por fim, ás margens da Via Dutra está outro caso "cabeludo": o falimentar Ciro Atacadista. São fatos que se ampliam na medida em que as políticas fiscais vão envolvendo os municípios valeparaibanos. Em Pindamonhangaba é estranho que dois shoppings e suas respectivas razões sociais venham a se interessar em instalar-se na cidade. Dois shoppings? Um apenas seria suficiente, mas é demorada, lenta, a viabilidade de inauguração. São fatos que envolvem pesquisas de mercado, planejamento e vendas, mas recorda-se com aflição do famoso "Golden Shopping" em Taubaté que deu enormes prejuízos para fornecedores, arquitetos, promotores de eventos e para lojistas que acreditaram no empreendimento. Ao final foi um fiasco e até hoje é interrogação e de triste lembrança. Portanto, as relações entre o poder público e a iniciativa privada devem ser colocadas em nível de responsabilidade, evitando-se os dissabores de negócios conduzidos sem a necessária cautela profissional, com entraves jurídicos e desrespeitos às normas fiscais oficializadas.
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