LG cede e trabalhadores voltam ao pátio da fábrica
Após uma semana de paralisação, trabalhadores votam e põe fim da greve

Taubaté Emilio Millo
Depois de uma semana de paralisação, terminou, na manhã de ontem (5), a greve da LG Eletronics, empresa responsável pela produção de celulares, monitores e notebooks, sendo a segunda maior fábrica de Taubaté, ficando atrás somente da Volkswagen. Uma assembléia foi realizada, onde todos os funcionários da empresa concordaram com o fim da greve e aceitaram o acordo firmado no TRT entre o Sindicato e a fábrica. Segundo a assessora de imprensa do Sindicato, Gabriela Candido, “apesar de todo aparato judicial utilizado para desmobilizar a categoria e a organização sindical, cedeu à unidade e disposição de luta dos trabalhadores e apresentou uma proposta que contemplou a reivindicação do plano de cargos e salários”. Conforme proposta aprovada, todos os trabalhadores que completam ou já completaram cinco anos no teto salarial da empresa, receberão o beneficio de uma bonificação de R$ 1.327,09 neste mês de fevereiro. Essa proposta também garantiu que a empresa efetue o pagamento da bonificação todos os anos no mês de janeiro, e a estabilidade de 90 dias para todos os trabalhadores com objetivo de evitar retaliações e demissões. O acordo levou em conta o dia de paralisação, com relação aos dias de greve, 2 dias serão pagos pela empresa e 3 dias serão compensados pelos trabalhadores. Após a assembléia de ontem, os funcionários retornaram ao trabalho, enquanto prosseguem as negociações entre a empresa e o sindicato, com audiências marcadas no Tribunal Regional do Trabalho, em Campinas, onde são centralizados os dissídios e acordos jurídicos do interior paulista. Em tom de vitória, o presidente do Sindicato, Isaac do Carmo, disse que “a LG buscou o poder normativo da Justiça do Trabalho como forma de intimidar os trabalhadores e intimidar a organização sindical, mas a unidade da categoria com a continuidade do movimento de greve forçou a empresa a uma negociação que contemplou categoria”, disse. Do Carmo ainda completou dizendo que a unidade dos trabalhadores impôs uma grande derrota para a empresa. Questionado sobre a postura da empresa, o presidente do Sindicato repudiou a aplicação de uma multa de R$ 240 mil por dia de paralisação e de R$ 100,00 diários por trabalhador em greve a partir desta sexta-feira, dia (5). Os sindicalistas explicam que a direção da multinacional é de origem coreana e acostumada a não cumprir a legislação vigente. Inclusive pressionando para turnos de trabalho acima das duas horas extras diárias permitidas. De acordo com dados do Sindicato dos Trabalhadores, esta foi a maior mobilização já realizada na LG Eletronics. Atualmente, a empresa LG de Taubaté conta com 2.400 funcionários, na sua maioria mulheres.
Sobre a LG A LG é uma das maiores empregadoras do município e recebeu gleba gratuita da prefeitura e incentivos fiscais a partir de 1997. O diretor do Departamento de Desenvolvimento Econômico, Antonio Roberto Paolicchi, disse que a LG devolveu parte da área que recebeu da prefeitura, pois era muito grande (cerca de 2,5 milhões de metros quadrados). Informou que existe um plano da LG em produzir em Taubaté a chamada “linha branca” de produtos domésticos, como geladeiras, fogões e outros aparelhos.
Para entender melhor: • Começou no dia 26 de janeiro o estado de grave, onde os trabalhadores reivindicavam reajustes salariais de acordo com o plano de promoção de cargo salarial. • Já no dia 29 do mesmo mês iniciou-se a greve não concordando com a decisão da Empresa cerca de 2.400 pessoas pararam suas atividade entre elas a linha de produção e o setor administrativo. • Em seguida Já no dia 01 de fevereiro trabalhador e Sindicato fizeram uma manifestação popular para esclarecimento no centro da cidade exigindo novas propostas aos trabalhadores. • Dois dias após a manifestação, Empresa e Sindicalistas participaram de uma audiência no TRT para que a greve fosse finalizada no prazo determinado as 8h30 do dia 04, visando que a LG não tomaria nenhuma medida de repressão aos trabalhadores que aderiram a paralisação, e a garantia a estabilidade empregatício por 90 dias, estendendo os benefícios a todos os trabalhadores dos 4 grupos indicado, sendo eles 85% para grupo 1 e grupo 2 (auxiliar e montadores), 70% do grupo do 3 (reparadores e inspetores de qualidade ) e 70% para os do grupo 4 (líderes) • Uma nova assembléia feita no dia 04 os trabalhadores recusaram o acordo proposto pelo sindicato junto ao TRT e a Empresa, decidindo assim a manter a greve ate que seja oferecida uma nova proposta, no mesmo dia uma reunião foi feita para que fosse determinada o fim da paralisação. • terminou na manhã de ontem dia 5 o fim da greve após uma assembléia feita nos portões da fabrica por volta das 7h00, onde por unanimidade trabalhadores e sindicato chegaram ao acordo com representante da Empresa.
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